segunda-feira, 16 de maio de 2011

Modelo ajuda Belo Monte a sair do papel


O trabalho é a base para a construção de barragens provisórias e também permite analisar possíveis consequências ambientais

por Agência Estado
Creative Commons
Trabalho de grupo de pesquisa de Curitiba é base para construção de barragens provisórias no rio Xingu
As discussões sobre licenciamento ambiental para as obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, aproveitando as águas do Rio Xingu, no Pará, ainda não terminaram. No entanto, a cerca de 3,2 mil quilômetros de distância, otrabalho está acelerado e a previsão é que o rio comece a correr e o terreno destinado ao reservatório seja inundado pelas águas em meados de junho

Ele é feito por um grupo de funcionários do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec), em Curitiba, que se debruça sobre o modelo que servirá para os estudos hidráulicos de construção da usina. "O principal objetivo é ver como a água vai se comportar naquela obra", disse o professor da Divisão de Hidráulica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do Lactec, André Fabiani. 

O trabalho é a base para a construção das ensecadeiras (barragens provisórias para desviar o rio enquanto as obras são realizadas). Mas também permite analisar possíveis consequências ambientais e saber até onde as águas do reservatório podem chegar, antecipando decisões que, do contrário, somente poderiam ser tomadas depois de as obras estarem em andamento. 

A parceria para que o Lactec desenvolvesse o projeto foi firmada no ano passado. Este deve ser um dos maiores trabalhos a serem elaborados nos 52 anos do Departamento de Hidráulica e Hidrologia do Lactec. Treze projetos já implementados que enchiam um pavilhão de 3,5 mil metros quadrados foram retirados e nele se reproduz o reservatório e o vertedouro do sítio Pimental, um dos que compõem o complexo. O outro é o sítio de Belo Monte, com a principal casa de força, cuja miniatura será construída em um barracão anexo. A previsão é que os testes nos modelos de Pimental e de Belo Monte estejam concluídos até o fim do próximo ano.

Trabalhadores rurais reivindicam políticas sociais para o campo


Nesta terça-feira (17/05), a manifestação Grito da Terra Brasil irá reunir 600 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios

por Agência Brasil
Ernesto de Souza
Trabalhadores rurais de todo o Brasil se reúnem nesta terça-feira (17/05), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para as manifestações do Grito da Terra Brasil 2011, organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). A expectativa é que o protesto reúna 600 mil profissionais. “O nosso objetivo é negociar com o governo federal políticas públicas para o campo”, explica o presidente da Contag, Alberto Broch. 

As atividades terão início às 14h30, em frente ao Congresso Nacional, quando os trabalhadores pedirão mudanças noCódigo Florestal. “Defendemos a alteração do Código e queremos que seja tratada a especificidade da agricultura familiar, para que os pequenos agricultores não sejam criminalizados”, afirmou Broch. 

Para Broch, é possível combinar a produção de alimentos com a preservação ambiental. No entanto, para isso, é preciso diferenciação na legislação. “Não podemos tratar o pequeno agricultor igual ao grande produtor. Na verdade, a agricultura familiar preserva, e isso deve ser levado em consideração”, disse. 
Movimentação 
Nesta terça-feira, a partir das 16h, os agricultores se concentram em frente ao Ministério da Fazenda para reivindicar o desbloqueio de recursos públicos fundamentais para a agricultura familiar. Este ano, a Contag pede o aporte de R$ 26 bilhões do governo federal para o assentamento de 20 mil famílias. “Temos um contingente muito grande de acampados em todo o Brasil e falta reforma agrária”, disse Broch. 

Para o presidente da Contag, a intenção do governo de acabar com a extrema miséria deve ter início por ações na área rural. “Essa questão [extrema miséria] é mais recorrente no campo principalmente porque grande parte das pessoas que está na área rural não tem acesso à terra. Por isso, a reforma agrária é fundamental para o desenvolvimento econômico do país e a diminuição da desigualdade social”, afirmou. 

Na quarta-feira (18/05) pela manhã, os protestos serão feitos em frente ao Ministério do Desenvolvimento Agrário(MDA) onde os trabalhadores cobrarão avanços nas políticas de reforma agrária e de combate à pobreza. 

Ainda na quarta-feira, está prevista uma audiência entre a presidenta Dilma Rousseff e a direção da Contag, às 15h, no Palácio do Planalto. A Contag espera receber do governo as respostas às reivindicações dos trabalhadores rurais entregues em um documento no dia 1º de abril deste ano.

Código Florestal: ruralistas criticam adiamento da votação


Segundo representante da CNA, setor está preparado para mais uma semana de negociações

por Globo Rural Online
Editora Globo
Deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), da bancada ruralista; adiamento da votação do Código Florestal frustrou lideranças do setor
adiamento da votação do novo Código Florestal frustrou lideranças da bancada ruralista. Durante a sessão que se estendeu até o início da madrugada da última quarta-feira (11/05), cada discurso favorável à votação do texto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) era recebido com aplausos por grupos de pessoas presentes à galeria do plenário da Câmara. No entanto, a decisão de deixar a análise do relatório para a próxima terça-feira (17/05) causouindignação nos representantes do setor agropecuário. 

“Esperávamos que os produtores pudessem estar hoje comemorando mais uma etapa superada”, disse o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Assuero Doca Veronez. Para ele, o setor está preparado para mais uma semana de negociações. “Para quem está há tanto tempo nesta caminhada para mudar esta lei que castiga os agricultores brasileiros, estamos dispostos a enfrentar o tempo necessário”, disse. 

O vice-presidente da CNA, deputado federal Homero Pereira (PR-MT), também lamentou o que chamou de manobra da base governista na Câmara para adiar a votação. “É uma loucura. Depois de ficarmos o dia inteiro discutindo a votação foi adiada” afirmou.

O adiamento da votação se justifica para permitir maior amadurecimento do texto de Aldo Rebelo e possibilitar mais diálogo sobre a proposta, segundo o deputado

por Agência Brasil
Renato Araújo/Abr
Segundo Vaccarezza, a votação não poderá acontecer na próxima semana, porque o governo vai se dedicar a medidas provisórias que estão trancando a pauta da Casa
A votação do novo Código Florestal Brasileiro só deverá ocorrer na última semana de maio. Essa é a previsão do líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza(PT-SP). Segundo ele, na próxima semana o governo vai se dedicar a medidas provisórias que estão trancando a pauta da Casa. 

De acordo com Vaccarezza, o adiamento da votação para o final do mês se justifica para permitir maior amadurecimento do texto do relator, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e possibilitar mais diálogo sobre a proposta. 

Ele também disse que a ausência do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), na semana que vem, que estará em viagem oficial ao exterior, contribuiu para a transferência da votação. “Não é adequado fazermos uma votação cercada de tanta paixão como parece essa na ausência do presidente da Câmara. Essa é uma votação muito nervosa”. 

O líder governista elogiou o relatório do deputado Aldo Rebelo, fruto do acordo feito com o governo, ao dizer que ele é “equilibrado: garante a defesa do meio ambiente e as necessidades da produção”. Segundo ele, o texto apresentado por Aldo Rebelo no plenário da Câmara na noite de ontem foi o texto do acordo, sem qualquer modificação. “O texto definitivo estava na liderança do governo à disposição de todos os líderes”. 

adiamento da votação do Código Florestal foi justificado pelo líder governista para evitar que o texto fosse desfigurado com uma emenda que estava sendo articulada pelos partidos de oposição. “Ela começou a ganhar adeptos da oposição e também da base do governo. Então achamos melhor adiar a votação”.

sábado, 14 de maio de 2011

Falta mão de obra para operar nova geração de máquinas agrícolas


Cada vez mais equipados com instrumentos de georreferenciamento e automatizados, os equipamentos pedem profissionais qualificados e setor busca utilização de combustíveis alternativos

por Patrícia Carvalho
CNH/Divulgação
Com o aumento nas vendas de máquinas, cada vez mais potentes e com melhor eletrônica embarcada, além de equipadas com instrumentos como GPS, a qualificação se tornou essencial
Um dos fatores que teriam determinado o aumento da mecanização no campo brasileiro, especialmente a partir da década de 1950, foi a diminuição da mão de obra disponível no campo. A lógica deste argumento é que os anos de intensa industrialização urbana, ao mesmo tempo em que havia uma falta de perspectivas de emprego e renda rural, teria gerado uma migração crescente da população do interior na busca pelos empregos das fábricas.
Hoje, no entanto, muitos operários de indústrias urbanas talvez invejem as condições de trabalho e possibilidades de ascensão profissional no campo, quando o assunto é operar máquinas. Isso por que o nível de profissionalização, e os salários dos operadores, antes chamados de tratoristas, são muito diferentes do que há algumas décadas atrás.
Não por acaso os programas de treinamento de entidades como a União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), ou do governo de Mato Grosso, assim como os centros de treinamento das próprias indústrias não dão conta da demanda.
Profissionalização
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) do estado, que atua em 141 municípios, em parceria com 87 sindicatos patronais, oferece cursos com duração de 40 horas, com aulas teóricas e práticas. “Somente em 2011 serão treinados 2,2 mil pessoas. Entretanto, muita gente não consegue vaga nas salas. A demanda está reprimida por falta de professores”, admite o gerente de projetos da entidade, Rodrigo Fischdick.
No caso da Unica, o programa Renovação conta com a participação da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp) e das empresas SyngentaJohn Deere e Case IH, e o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O curso requalifica 7 mil trabalhadores por ano e, de acordo com Maria Luiz Barbosa, coordenadora de Responsabilidade Social Corporativa da entidade, “o profissional para trabalhar com as máquinas está em falta”. Um dado confirmado por Marluce Andrade Gomes, gerente executiva do sindicato rural de Jaciara (MT). “Todos os que concluem um programa de treinamento conseguem emprego imediatamente”, explica.
Com o aumento nas vendas de máquinas, cada vez mais potentes e com melhor eletrônica embarcada, além de equipadas com instrumentos como GPS, a qualificação se tornou essencial para a própria eficiência na operação das máquinas. Não basta saber ler e escrever. É preciso saber “ler” a máquina.
De acordo com o vice presidente de Engenharia para a América do Sul da AGCO, controladora das marcas Massey Ferguson e Valtra, Luiz Ghiggi, hoje “o operador de uma colheitadeira moderna não pode ter o mesmo perfil do trabalhador de antes, já que terá que conviver todos os dias com sistemas automatizados, o que não significa que não haja lugar para os atuais trabalhadores rurais na fazenda do futuro. O que recomendamos é treinar essas pessoas, que têm conhecimento da lavoura”, diz.
Ele ressalta que a experiência mostra que a melhor fórmula é ensinar as pessoas com conhecimento do campo a operar os novos sistemas. Os resultados do projeto Aquarius – parceria da Universidade Federal de Santa Maria, RS, com a Massey e outras empresas para o desenvolvimento de um ciclo completo de agricultura de precisão – são uma prova disso. “Não adianta pôr um universitário no comando da máquina. As fazendas em que se aproveita a experiência de quem conhece a lavoura são as mais bem sucedidas”, explica. Segundo o executivo, este processo está provocando uma mudança estrutural na organização das fazendas. “Cada vez mais os pais estão trazendo os filhos e a família para as palestras, para manter todos dentro do negócio".
CNH/Divulgação
Especialistas acreditam que seria um contrassenso ter máquinas com uma robótica tão avançada e não ter operadores qualificados e bem pagos, trabalhando em condições favoráveis 

Desafio sustentável
Historicamente, o primeiro desafio que se impôs ao setor de máquinas foi o aumento da potência. “Somente duas décadas atrás, os tratores ainda tinham em média 100 cavalos e as colheitadeiras, 170. Eram equipamentos pequenos em comparação com os atuais. Eles ficaram maiores e mais potentes, e a principal razão é que, nesse período, o Brasil desbravou novas fronteiras agrícolas na região Centro-Oeste e no Cerrado, onde predominam propriedades muito maiores que as do Sul e Sudeste e que, portanto, exigem máquinas maiores”, explica Luiz Ghiggi.
Um desafio que continua tirando o sono dos pesquisadores e engenheiros da indústria, já que agora não só é necessário que a potência seja a máxima e mais eficiente possível, mas é necessário também que o consumo de combustíveis seja menor e, de preferência, menos poluente, com uso de biodiesel, etanol e até nitrogênio.
New Holland desenvolveu um trator movido a hidrogênio, o NH2, um protótipo que já rendeu à montadora prêmios de design no exterior e não deve tardar em se tornar um modelo comercial, apesar do aspecto futurista. “O motor a hidrogênio vai ser uma realidade mais rapidamente para as máquinas agrícolas que para os carros”, prevê o coordenador de vendas de agricultura de precisão da New Holland, Jorge Strina.
Ele explica que na máquina não há a limitação de espaço que há em um carro, que teria que ser munido de um tanque no porta malas, parecido com o de gás natural. Além disso, a autonomia não é um problema tão crítico em um trator quanto em um carro – o volume de abastecimento diário pode ser calculado e armazenado na própria fazenda, até por que a matéria prima é abundante (palha, dejetos animais) e pode ser facilmente manuseada. Projetos como este têm como foco o conceito de sustentabilidade, assim como reduzir a necessidade dependência de combustíveis fósseis, como o óleo diesel, que tendem a subir de preços a médio e longo prazos. “É uma evolução natural, dentro de uma história de desenvolvimento contínuo da indústria”, enfatiza Milton Rego, da Anfavea.
Da mesma forma que houve a preocupação com o uso de pneus flutuantes para menor compactação do solo com o uso intensivo das máquinas agrícolas, assim como a adaptação das máquinas para o plantio direto até os recentes avanços no uso de combustíveis não fósseis, itens ligados à conservação ambiental, as melhorias nas condições de trabalho com as cabines fechadas e com ar condicionado, e os programas de treinamento e recolocação de mão de obra vêm sendo pensados em termos da produtividade a longo prazo.
Especialistas acreditam que seria um contrassenso ter máquinas com uma robótica tão avançada, como plantadeiras monitoradas por GPS, que podem armazenar a “rota” percorrida ao abrir as linhas da lavoura em um cartão de memória, para que mais tarde esta informação seja usada para guiar tratores e colheitadeiras em outras etapas do cultivo, e não ter operadores qualificados e bem pagos, trabalhando em condições favoráveis. Werner Santos, diretor de vendas da John Deere, exemplifica a tendência explicando que o sistema AMS (Agricultural Management Solutions, ouSoluções de Manejo Agrícola, como é chamado o pacote de engenharia de precisão da marca) oferece ao produtor os dados georreferenciados para toda a safra. Isso significa, por exemplo, o uso do volume exato de sementes no plantio, assim como em outras funções a racionalização máxima da aplicação de defensivos e fertilizantes, dependendo das análises de solo e monitoramento da plantação através do GPS. Mas o resultado efetivo depende da interpretação, e principalmente, da execução das instruções e recomendações, feita pelo homem.

Brócolis podem ajudar a eliminar problemas de pulmão


O sulforafano, composto encontrado no broto da planta, se apresenta como possível tratamento para prevenir infecções que afetam pacientes com doenças pulmonares

por Agência EFE
ThinkStock
Composto encontrado nos brotos de brócolis poderia ajudar a eliminar a bactérias que afetam os pulmões
Cientistas americanos descobriram que o sulforafano, composto encontrado nos brotos de brócolis, poderia ajudar a eliminar bactérias que afetam os pulmões, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (13/03) na revista americana Science Translational

O sulforafano está presente nas verduras da família da couve e se apresenta como um possível tratamento para prevenir ou reduzir as infecções que frequentemente afetam os fumantes e os pacientes com doenças pulmonares

Um pulmão saudável se encarrega por si mesmo de expulsar as pequenas partículas de pó, os resíduos e as bactérias estranhas que entram através do aparelho respiratório junto com o oxigênio que respiramos. No entanto, este sistema de "autolimpeza" é disfuncional nos fumantes, e nas pessoas com um tipo de doença chamada enfermidade pulmonar obstrutiva crônica (Epoc), uma grave patologia respiratória. O Epoc, que afeta 24 milhões de americanos e 210 milhões de pessoas no mundo todo, é a terceira causa de morte nos Estados Unidos. 
Tratamento
Os pesquisadores concluíram que o tratamento com sulforafano estimula a ativação da via de sinalização celular Nrf2 tanto nas células humanas dos pulmões com Epoc. A ativação da via Nrf2 restaura a capacidade dos macrófagos pulmonares para eliminar as bactérias dos pulmões, com o que uma dieta rica em sulforafano poderia ajudar aos doentes a melhorarem. 

"Nossas descobertas sugerem que os macrófagos dos pulmões dos pacientes com a enfermidade têm uma falha no processo chamado fagocitose, que consiste na destruição de bactérias ou agentes nocivos para o organismo", disse Biswal. Os pesquisadores descobriram que, ainda segundo o médico, "a ativação da via Nrf2 induzida pelo sulforafano restaurou a capacidade dos macrófagos pulmonares para se unir e combater as bactérias". 

"O estudo poderá ajudar a explicar a relação entre a dieta e a doença pulmonar, e aumenta o potencial de novos enfoques para o tratamento da doença frequentemente devastadora", afirmou Robert Wise, professor de medicina da Escola Johns Hopkins e co-autor da pesquisa.

Medicina que nasce no campo


Embrapa utiliza plantas para produzir substâncias que darão origem a produtos benéficos à saúde humana, como proteínas capazes de proteger o organismo da contaminação pelo HIV

por Janice Kiss
Experimentos também querem chegar à produção de antígeno para o combate ao câncer por folhas de tabaco

 Shutterstock
Plantas de estudo são cultivadas em biofábricas
As transformações que a biotecnologia tem trazido à agricultura não se limitam ao desenvolvimento de cultivares agrícolas mais produtivas e resistentes. Nas estufas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, técnicas de manipulação genética aplicadas a espécies vegetais comuns acenam com um futuro ainda mais inovador para a produção do campo. Ali, um grupo de cientistas liderado pelo engenheiro agrônomo Elíbio Rech realiza há cerca de uma década pesquisas muito peculiares para gerar substâncias que darão origem a fármacos. Tais estudos, realizados em parceria com o Instituto Nacional de Saúde americano e a Universidade de Londres, têm como base a soja, usada na produção de hormônio de crescimento humano e também na obtenção de proteínas capazes de impedir a contaminação pelo vírus HIV; e o tabaco, empregado na pesquisa para a produção de anticorpos para o combate ao câncer. 

Como produzirão substâncias até então desenvolvidas apenas pelo corpo humano, as espécies utilizadas nesses trabalhos, que relacionam produção agrícola a saúde, estão sendo chamadas de plantas humanizadas. “Mas jamais haverá risco de que elas sejam usadas para a produção de alimentos”, apressa-se em dizer Rech. Segundo o pesquisador, especialista de fitopatologia, o projeto tem como objetivo desenvolver novos produtos farmacêuticos e baratear processos já existentes. É o caso da produção do hormônio de crescimento, hoje sintetizado comercialmente por meio da cultura de bactérias, mas que, com o uso da engenharia genética, poderá ganhar escala e vir a custar um décimo de seu preço atual. 
Filipe Borin 
A geração desses novos produtos baseia-se na transferência de genes entre reinos distinos, animal e vegetal. Tal operação só é possível em virtude da biobalística, processo que permite a introdução de genes selecionados em células de outros organismos. Na produção de hormônio de crescimento a partir da soja, um equipamento de laboratório acelera microprojéteis de ouro ou tungstênio contendo a proteína de crescimento a uma velocidade acima de 1.500 quilômetros por hora, carregando os genes para o interior da célula do grão, que assim passa a produzir o hormônio (quadro ao lado). Após esse “microbombardeio”, como se refere Elíbio Rech, obtêm-se as mudas das plantas, que então são levadas para a estufa – ou biofábrica –, onde as condições de desenvolvimento são controladas. Foram necessários quatro anos para dominar as técnicas aplicadas nessas etapas. 
Ernesto de Souza 
O experimento já rendeu cerca de 50 quilos de sementes, encaminhadas a indústrias farmacêuticas não reveladas pela Embrapa. Elas irão extrair o hormônio de crescimento dos grãos e testá-lo inicialmente em animais. Um medicamento proveniente dessas pesquisas levará eventualmente ainda uma década para ser lançado. “São necessários muitos ensaios para garantir sua segurança“, diz Rech. 
Alan Marques/ Folhapress
Elíbio Rech, da Embrapa: estudos trarão novas oportunidades para agricultores
A produção de uma proteína com capacidade de combater o vírus HIV – a cianovirina, encontrada em algas – está numa fase menos adiantada. Por meio da biobalística, a proteína está sendo inoculada em bactérias que se desenvolvem emsementes de soja. O objetivo é chegar à fabricação de um gel feito com essa substância, a ser aplicado pelas mulheres na vagina antes das relações sexuais. Também em fase preliminar está o projeto para o desenvolvimento de um antígeno contra o câncer a partir de folhas de tabaco. Nesse trabalho, são empregadas bactérias de solo que apresentam capacidade de transferir o gene selecionado para fabricar anticorpos. Elíbio Rech acredita que, com isso, as famílias de agricultores da região sul do país que têm o cultivo de tabaco como principal atividade poderão passar a fornecer matéria-prima para o setor farmacêutico, em lugar da indústria de fumo. O pesquisador da Embrapa está convicto de que, no futuro, o país será um grande exportador não apenas de commodities, mas também de proteínas e medicamentos extraídos das plantas. 

Ministério orienta plantio de arroz e banana


Estudo de risco climático indica as melhores condições para o cultivo do grão em regime de sequeiro e irrigado


ThinkStock
Produtores de 17 estados brasileiros podem consultar asorientações do Ministério da Agricultura para o plantio de arroz de sequeiro, arroz irrigado e de banana. O estudo dezoneamento agrícola, publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (13/05), mostra quais são os municípios, os tipos de solos, as condições climáticas e os períodos mais apropriados para o cultivo desses produtos. A pesquisa também indica as variedades mais adequadas para cada região. 
As recomendações para o plantio de arroz de sequeiro são destinadas aos produtores do Paraná, Acre, Rondônia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Maranhão, Piauí, São Paulo, Minais Gerais, Pará, Bahia e Distrito Federal. A produção de arroz de sequeiro, feita sem o uso de irrigação, depende do regime de chuvas de cada região, uma vez que o excesso de chuva durante a produção pode comprometer o cultivo do grão. Para cada estado, o estudo faz uma análise hídrica e térmica, de acordo com as variações climáticas. 

O cultivo de arroz irrigado é recomendado para Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Nesses estados, o plantio da variedade responde por grande parte da produção brasileira de arroz, já que cerca de 80% de todo o arroz produzido no Brasil adota esse sistema. As variações climáticas, a temperatura do solo e o regime de chuvas são os fatores que interferem no plantio. A ocorrência de baixas temperaturas na região Sul, de maio a setembro, constitui fator de risco para a cultura. 

Os produtores de banana de Goiás também devem ficar atentos às recomendações do zoneamento. A banana é uma fruta produzida em todos os estados brasileiros, e tem elevada importância social e econômica. Tipicamente tropical, exige calor constante, precipitações bem distribuídas ao longo do ano e elevada umidade para que apresente bom desenvolvimento e produção. 

Confira aqui as portarias publicadas no DOU.

Demissão na agricultura supera contratação em 2010


Motivos estão ligados a grande rotatividade no setor e também a mecanização que vem substituindo trabalhadores

por Agência Estado
 Shutterstock
agricultura foi o único ramo da atividade econômica a terminar 2010 com um volume de empregos formais menor do que quando começou o ano, de acordo com os dados daRelação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados na última quarta-feira (11/05) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). "Isso é fruto da grande rotatividade e também da mecanização, que vem substituindo trabalhadores", avaliou o ministro Carlos Lupi. 

Ao longo de 2010, as demissões do setor superaram as contratações em 18,1 mil postos de trabalho. Técnicos do MTE apontaram que os segmentos que mais colaboraram para o saldo negativo foram os de laranja e cana-de-açúcar. De 2009 para 2010, o volume de empregos naagropecuária cedeu de 1,427 milhão para 1,409 milhão. 

Já os setores que mais contribuíram para a geração de empregos formais no ano passado foram o de serviços (1,109 milhão de novas vagas, já descontadas as demissões), o comércio (689,3 mil) e a indústria de transformação (524,6 mil). A construção civil foi responsável por um saldo de 376,6 mil vagas. 

Em termos relativos na comparação com os estoques de emprego verificados em 2009, a construção civil cresceu 17,66%, enquanto o comércio (8,96%) e os serviços (8,38%) tiveram desempenhos semelhantes. A indústria de transformação contratou 7,13% a mais em relação ao seu estoque no final de 2009.

Morte de abelhas pode ser causada por telefones celulares, diz estudo


Cientistas acreditam que o sinal dos aparelhos desorienta os insetos

por Globo Rural Online
Jon Sullivan/Creative Commons
Cientistas na Suíça dizem ter encontrado a causa da diminuição repentina da população de abelhas em todo o mundo. Eles acreditam que a culpa da redução é dostelefones celulares. Segundo os pesquisadores, o sinal proveniente desses aparelhos não só confunde os insetos como também pode levá-los à morte. Foram feitos cerca de 83 experimentos que apontaram o mesmo resultado, segundo informações do jornal Daily Mail. 

O estudo, liderado pelo cientista Daniel Favre, mostrou que as abelhas reagiam significativamente quando próximas a aparelhos ou quando estes eram utilizados para fazer uma ligação. De acordo com a pesquisa, as abelhas sentem o sinal transmitido quando o telefone toca. O aparelho emite um barulho durante as ligações que as confunde, fazendo com que voem de maneira desordenada e, a seguir, morram repentinamente. 

Segundo a pesquisa, o barulho da frequência telefônica afeta 10 vezes mais as abelhas quando uma ligação com o celular está sendo realizada. No entanto, mesmo desligado o aparelho pode desorientar os insetos, levando-os à morte. 

Nos Estados Unidos, onde a maioria das pessoas possui um celular, o impacto foi mais perceptível. 

As abelhas são parte necessária do sistema ecológico e da agricultura, como agentes de polinização e produtores de mel.