quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Com um discurso simples e objetivo, a agricultura Hilda Maria de Rezenda Santos emocionou a todos hoje durante 3º Seminário Nacional do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) realizado em Brasília (DF). No palco, Lula tentava em vão conter as lágrimas, que também escorriam pelas faces da ministra Márcia Lopes (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e outros convidados. No púlpito, que ocupou após quebrar o protocolo e pedir a Lula para falar, Hilda explicou ao presidente e à plateia de mais de 800 pessoas o que representava o programa de aquisição de alimentos do governo para os pequenos agricultores do município de Custódia, sertão de Penambuco.
“As minhas palavras são de agradecimento. Falo em nome de um povo sofrido. Se não fosse este programa, as crianças não teriam um litro de leite para tomar. E se hoje elas vão bem na escola é porque tomam leite todo dia. Então, Pernambuco agradece ao presidente Lula. E mais: estou certa que a presidente Dilma [Rousseff] irá continuar o programa. Ela é uma mulher correta. Vi isso nas entrevista que deu durante a eleição”, contou Hilda ao Blog do Planalto.
Presidente da Associação Comunitária Rural de Custódia, Hilda Santos chegou a um hotel em Brasília como muitas outras mulheres e homens. Do Recife para Brasília, conforme revelou, os momentos foram de apreensão: “Andei de avião pela primeira vez. Foi muito bom.” Junto com outros agricultores, ela recebeu a missão de entregar uma cesta com produtos da lavoura dos pequenos agricultores ao presidente, mas acabou se empolgando e pedindo para falar no evento.
Ela contou ainda que as 200 famílias de agricultores de Custódia sobreviviam da venda de carvão. A renda familiar varia entre R$ 100 a R$ 150 a cada mês. Porém, com o programa de aquisição de alimentos, o agricultor passou a um orçamento mensal entre R$ 700 a R$ 800. Este programa começou a ser implantado há seis meses naquele município pernambucano.
Você nem imagina a cara de felicidade da pessoa que chega na nossa associação para receber este dinheiro. Isso melhorou muito a vida das pessoas.
O Brasil perdeu o medo de emprestar dinheiro e constatou que a micro economia tem sido fundamental para garantir o crescimento do País e para ajudar no combate à pobreza. E engana-se quem pensa que emprestar aos pequenos é mais arriscado. Pelo contrário. Os pequenos honram seus compromissos e, com a ajuda de instituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), aproveitam bem as oportunidades geradas, afirmou o presidente Lula nesta quarta-feira (24/11) na inauguração da nova sede oficial da entidade em Brasília (DF). “Haverá um dia em que todos entenderão que se tem um segmento da sociedade que toma dinheiro emprestado e paga, é exatamente o pequeno, porque ele só tem a cara e seu nome como patrimônio”, disse o presidente em discurso.
Além do apoio de instituições como o Sebrae, a micro economia brasileira precisa é de crédito – e uma forma diferenciada de governar, que ajude a desenvolver justamente os mais necessitados. E o presidente está convicto de que conseguir provar, à sociedade brasileira e ao mundo, que é possível governar dando atenção tanto à macro economia quanto à micro economia. E afirmou aos presentes que ninguém ali tem a dimensão do que está acontecendo com o micro crédito no Brasil hoje, que vem impulsionando diversas cooperativas e pequenos negócios em todas as regiões brasileiras.
Nós precisamos crias as nossas coisas, inventar as nossas coisas e criar as nossas oportunidades. E eu acho que o que está acontecendo de milagre neste País é que as pessoas estão tendo oportunidades. E quando as pessoas têm oportunidades, pegam com as duas mãos, a cabeça e os pés, e vão embora – e vencem e conseguem fazer o milagre que está acontecendo no Brasil hoje.
Ouça aqui a íntegra do discurso do presidente:
O Sebrae, afirmou Lula, tem responsabilidade em boa parte desse milagre que o País vive atualmente em combinar desenvolvimento com redução de desigualdades – algo que muitos duvidavam ser possível tempos atrás -, ajudando pequenos empreendedores a se formalizarem e, assim, terem mais acesso a financiamentos e capacitação. “O Sebrae tem sido, durante 38 anos, uma unanimidade nacional. E eu acho que não é pela beleza dos seus dirigentes, mas pela competência do seu corpo de funcionários”, disse.
Em qualquer grande economia do mundo os micro e pequenos empreendimentos garantem a capilaridade de um setor empresarial que chega a cidades de todos os portes e atua nos mais diferentes setores econômicos – e aqui no Brasil não poderia ser diferente. As 5,8 milhões empresas de micro e pequeno porte no Brasil empregam 13 milhões de pessoas com carteira assinada e são fundamentais para manter a roda da economia em movimento, gerando emprego, renda e melhoria da qualidade de vida.

domingo, 21 de novembro de 2010

Programa Mais Alimentos é estendido para a África


Linha de crédito do Pronaf buscará facilitar acesso de produtores africanos a máquinas e equipamentos agrícolas



Foi publicada, nesta sexta-feira (19/11), portaria no Diário Oficial da União que institui o programa Mais Alimentos África, extensão do Mais Alimentos brasileiro, que é umalinha de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A versão africana será coordenada pela Assessoria Internacional e Promoção Comercial do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
>>> No dia 9 de novembro, o Brasil assinou com o Japão um acordo de US$ 13,4 milhões para desenvolver a agricultura de MoçambiqueVocê é a favor das aproximações do Brasil com a África na área de produção agropecuária?Opine clicando aqui.
De acordo com o documento oficial, o projeto tem como objetivos “facilitar o acesso dos países africanos beneficiados a máquinas e equipamentos agrícolas para o desenvolvimento da produção de alimentos” e “aumentar a produção e a produtividade das unidades da agricultura familiar dos países africanos beneficiados”. A portaria não especifica quais serão as nações atendidas pelo programa.
O Mais Alimentos África contempla os seguintes produtos e atividades: açafrão, arroz, café, centeio, feijão, mandioca, milho, sorgo, trigo, erva-mate, e, na parte de pecuária, criação de abelhas, aves, gado, entre outras atividades.
O Mais Alimentos original, criado 2008, investiu R$ 4 bilhões ao longo de dois anos em projetos para modernizar propriedades de agricultores familiares no Brasil. Em agosto passado, por exemplo, passou a financiar colheitadeiras.

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) dirigidos pela sucessão natural

Podando as árvores da borda da plantação.2005_02_23_16_31_25.jpgContinua a cobertura.Começam os canteiros agroflorestais com sementes de hortaliças, anuais e árvores.Tendo ficado 3 semanas parado, a Tiririca começa a tomar conta novamente, mesmo com a cobertura de capim.Os alunos ajudando a cobrir os canteiros com o capim moido pela ensiladeira.
Este é o objetivo, do técnico Valdemar de  recuperar terras degradadas e improdutivas na Amazônia, transformando-as em produtivas, com alta biodiversidade, mostrando que é possível aliar produção à conservação dos recursos naturais. Foi justamente o que se obteve como conclusão para este estudo de caso:
1. Sistema Agroflorestal dirigido pela sucessão natural apresentou-se como um sistema comprovadamente capaz de recuperar áreas degradadas e manter-se produtivo;
2. As vegetações das duas áreas estudadas (Capoeira e SAF) mostraram-se completamente diferentes depois de 12 anos, ao se efetuar manejo em uma (área de SAF) e ter deixado em pousio a outra (Capoeira), indicando um avanço na sucessão vegetal acompanhada pelo avanço sucessional da fauna do solo;
3. A dinâmica da matéria orgânica, conferida pelo manejo, aumenta a atividade da biota do solo, sendo a principal responsável pela ciclagem bio-geoquímica eficiente na área de SAF;
4. A implantação e condução do SAF mudou completamente a cobertura vegetal da área manejada (SAF) assim como a qualidade da serapilheira, fertilidade do solo e macrofauna, indicando que houve avanço na sucessão vegetal assim como melhoria da qualidade dos recursos para a vida (fertilidade do solo, dinamização da ciclagem dos nutrientes) se comparada com a área de Capoeira (ou seja, se não tivesse sido realizada a intervenção).
Com o intuito de apresentar os dados concretos obtidos na pesquisa de campo, utilizaremos de duas tabelas, a Tabela 1, mostrando os dados levantados nas áreas de SAF e Capoeira, devidamente comparados com a ferramenta do teste estatístico, e a Tabela 2, como referência para alguns parâmetros de fertilidade, para ajudar o leitor na compreensão dos valores obtidos neste estudo de caso.
Sabe-se que o elemento fósforo é encontrado, nos solos tropicais, disponível em baixíssimos teores, e é considerado um dos elementos mais limitantes dos ecossistemas agrícolas. E foi justamente o fósforo que mostrou os teores mais surpreendentes: na área de SAF, apresentou-se aproximadamente 7 vezes maior, na camada de 0 a 5 cm, e cerca de 4 vezes maior na camada de 5 a 20 cm, se comparados com os teores encontrados na área de Capoeira, como pode-se observar no gráfico (Figura 1).
Apesar de não ter sido adicionada nenhuma fonte do elemento fósforo nas áreas estudadas, os teores apresentaram-se evidentemente muito distintos entre as áreas de SAF e de Capoeira, principalmente nas camadas superficiais. Se os teores em profundidade (de 40 a 60 cm) apresentaram-se semelhantes, e se trata-se do mesmo solo, com mesmo histórico, se não foi acrescentado fósforo, como explicar essas altas quantidades desse nutriente disponível nas camadas superficiais do solo?
De onde veio esse fósforo?
Para tentar responder esse aparente paradoxo, efetuou-se análise de fósforo total, como pode-se vislumbrar na Tabela 3.
A partir desta informação pode-se concluir que o fósforo contido no solo de forma indisponível está sendo disponibilizado nas camadas mais superficiais do solo. Isso nos possibilita deduzir que alto teor de fósforo solúvel encontrado na camada superficial do solo, na área de SAF, pode ser explicado pelo fenômeno conjunto de bombeamento dos nutrientes das camadas mais profundas do solo pelas raízes das árvores, acelerado pela poda, que fornece grandes quantidades de matéria orgânica de alta qualidade (fresca) para a serapilheira e dinamização da biota do solo que disponibiliza os nutrientes, tanto da matéria orgânica e do solo, quanto via associações simbióticas das plantas com fungos e bactérias
Sabe-se que minhocas, e outros componentes da macrofauna do solo, podem aumentar, a curto prazo, a disponibilidade dos minerais nitrogênio e fósforo derivados do litter (folhedo) ou do solo, ao transformar a matéria orgânica depositada sobre o solo, ativando a atividade da mesofauna e microbiota do solo.
Interferindo na vegetação pela introdução de espécies e seu manejo, automaticamente interfere-se sobre o solo e sobre a vida que ocorre nele, e, assim, as mudanças vão ocorrendo paralelamente em todos os compartimentos do sistema. Com o manejo do SAF, ao dirigir a sucessão natural (inserindo ou conservando as espécies mais avançadas na sucessão e "eliminando" as que já cumpriram seu papel na sucessão, através da capina seletiva, poda e plantio adensado de consórcios), dinamiza-se a biota do solo (os dinamizadores do sistema), contribuindo com mudanças relativas à fertilidade do mesmo, que também evoluem no sentido de sustentar as espécies mais exigentes, que ocorrem ao se avançar no processo sucessional das espécies.
O homem, ao atuar participativamente no sistema (Götsch, 1995), potencializa os mecanismos naturais, uma vez que, ao efetuar um manejo que intensifique a atividade da macrofauna do solo, dinamiza a microbiota do solo, que por sua vez disponibiliza nutrientes e outras substâncias que contribuem para a fertilidade do substrato e o desenvolvimento das plantas. Pode-se dizer que, assim, está-se indiretamente contribuindo para uma fertilização natural (a própria natureza trabalhando na melhoria das condições ambientais, que contribuem para o desenvolvimento de uma vegetação mais exigente em fertilidade de solo, aeração e umidade).
Tabela1. Caracterização da fertilidade do solo (exceto micronutrientes) para as duas áreas comparadas (SAF e Capoeira)
mEq/100g
Profund.
PH H2O
PH KCI
PH CaCI2
M.0%
P2O5 ppm
K2O
Ca
Mg
Al
H+AI
SB
T
V%
m%
Alx100/T
SAF
0-5
5,59
5,49
5,42
17,09
29
0,16
11
8,2
0
3,86
19,48
23,22
83,4
0
**
**
**
ns
**
ns
**
**
**
**
*
**
**
5-20
5,39*
4,96*
4,82
4,27
12,9
0,08
4,53
2,71
0,15
5,86
7,32
13,18
54,7
2,8
*
*
**
ns
**
ns
**
**
**
**
**
ns
**
**
40-60
5,10
4,50
4,29
2,2
2,7
0,03
0,99
0,58
0,52
5,38
1,6
6,98
22,9
27,2
ns
ns
ns
ns
ns
ns
**
**
*
*
**
ns
**
**
Capoeira
0-5
5,28
4,57
4,57
19,04
4
0,17
5,46
1,7
0,37
10,94
7,34
18,27
41,1
5,8
5-20
5,05
4,09
4,09
4,48
2,96
0,09
1,31
0,63
0,93
9,96
2,03
12
17,5
33,76
40-60
5,07
4,2
4,2
2,34
2,24
0,03
0,37
0,15
0,7
6,71
0,55
7,25
7,9
56,4
Obs.: Os dados relativos a S-SO4 tem como unidade mg/dm3 e cada profundidade amostrada (para este nutriente) é proveniente de uma amostra composta de cinco sub-amostras por área (0,5ha), por isso não foi submetido a teste estatístico. Para os outros atributos da fertilidade do solo, os dados são provenientes da média de 25 amostras compostas de 3 sub-amostras. Neste caso, os dados fora analisados pelo teste t - de student pareado e observou-se diferença significativa ou não entre as áreas comparadas para cada profundidade de solo indicada, de acordo com a simbologia: ** significância a 0,01 ou 1% (há maior diferença estatística entre as áreas comparadas), * significância a 0,5 ou 5% (há diferença estatística significativa entre as áreas comparadas), ns - não significante (não há diferença estatisticamente significativa entre as áreas comparadas).
Tabela 2. Caracterização da fertilidade de solos brasileiros para cultivo de cacau para os 20cm superficiais do perfil.
Parmetros
Fertilidade relativa
alta
mdia
baixa
pH (em gua, 1:2.5)
7,5-6,0
6,0-5,0
<5,0
% matria orgnica (combusto mida)
>3,5
3,5-2,5
<2,5
P (ppm) (MehlictVs method)
>15
6-15
<5
K (mEq/100g) (Mehlich's method)
>0,31
0,30-0,11
<0,11
Ca + Mg(mEq/100g)
12-6
6-3
<3
% saturao de Al (KCI extrao)
0-10
10-25
>25
ALVIM, P. deT. e KOZLOWSKI, T.T. Ecophysiology of Tropical Crops, 1997
Tabela 3. Teores de fósforo total nas três profundidades amostradas, para as duas áreas estudadas (SAF e Capoeira)
P2O5 total %
Profundidade
Capoeira
    SAF    
0-5
0,06
0,13
5-20
0,03
0,08
40-60
0,12
0,05
Figura 1
Bibliografia
GÖTSCH, E. O Renascer da Agricultura. Rio de Janeiro: AS-PTA, 1995.